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4.1.12

Fama


2012: gravações de novela na Fazenda

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Agora é pra valer. Atores, diretores, produção e equipe técnica da nova novela das 18h, Amor Eterno Amor, já estão em Santarém, no Oeste do Pará, para iniciar as gravações nesta quarta-feira, dia 4.Os atores Carol Castro, Gabriel Braga Nunes e André Gonçalves vão estar nas cenas.

Em Soure, na Ilha do Marajó, as gravações devem acontecer entre os dias 8 e 15 de janeiro. A fazenda São Jerônimo será uma das locações, com gravações marcadas para os dias 10 e 11 de janeiro. A chef Jerônima Brito é quem vai ficar responsável pelo almoço dos atores e toda equipe global.

O próprio diretor geral  da novela, Rogério Gomes, o Papinha, esteve na Fazenda São Jerônimo, com demais diretores da trama, no mês de novembro do ano passado, escolhendo as locações. Eles também fizeram refeições na Fazenda e aprovaram o cardápio criado pela chef Jerônima Brito.

E não é a primeira vez que a Fazenda São Jerônimo é cenário para uma produção global. Em 2001, a TV Globo gravou no local o programa No Limite III, com direção de Boninho e apresentação de Zeca Camargo. O diretor do programa, na época, descobriu a Fazenda num passeio de helicóptero na ilha.



Texto e foto de Christian Emanoel.

Fazenda


O que a gente acha que você precisa saber



A Fazenda São Jerônimo tem mais de 400 hectares, em sua quase totalidade com fauna e flora preservadas desde sempre. Aqui você encontra campos e vegetações de mangue, cerrado e floresta. A quantidade de macacos e a variedade de pássaros que moram aqui são impressionantes. Você vai ver (e mergulhar em) igarapés e numa praia deserta que mistura a água do Rio Pará com a do Oceano Atlântico. Vai passar por mangues lamacentos e por pequenos lagos. Tudo dentro da Fazenda. Vai andar a pé, a cavalo, de búfalo e de carroça puxada por búfalos, se quiser.  

A intenção é conservar a natureza para sempre. A Fazenda está incluída na Reserva Extrativista Marinha de Soure, uma Unidade de Conservação federal, o que restringe diversas atividades e a coloca sob a fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – o Ibama, que costuma entregar a ela animais silvestres machucados ou desnutridos que são resgatados do comércio ilegal .

Ambiente cultural também é importante. São Jerônimo cede espaço para encontros de grupos locais de música e dança e eventualmente os contrata para shows. Uma peça de teatro foi encenada dentro da Fazenda com atores de Soure. Cenas do último longa-metragem de Tizuka Yamasaki, sobre uma personalidade da região, foram filmadas aqui. Sempre que há possibilidade, apresentamos aos nossos visitantes os artesãos em cerâmica, em grãos, cordas e em couro que trabalham na cidade.

Sem falar na culinária marajoara, ao mesmo tempo preservada e transformada pela responsável pela cozinha, D. Jerônima Brito, que tem uma boa reputação no meio da gastronomia brasileira. O restaurante serve almoços de segunda a sábado, através de agendamento prévio. Não funciona para almoço e jantar, como um restaurante comum.

A Fazenda São Jerônimo completa em 2015 o décimo-terceiro aniversário de sua abertura ao turismo. Até 2002, ela era dedicada exclusivamente ao extrativismo de frutas e à pesca, à pecuária e à agricultura em escala familiar.

A mudança chegou com a gravação dentro da Fazenda, em 2001, de um reality-show que durou meses e fez grande sucesso no país inteiro. Ela foi seguida de investimentos em capacitação e ordenamento realizados em Soure pelo órgão estadual de turismo (Paratur), em conjunto com o organismo nacional de apoio às pequenas empresas (Sebrae). Durante um tempo, a Fazenda ofereceu também pousada, serviço hoje desativado.

Os passeios na Fazenda - ecoturismo de verdade - duram entre uma e quatro horas. O melhor a fazer é tratar e agendar a sua visita por telefone. Se você aparecer sem aviso, certamente terá boas-vindas e sorrisos, mas talvez apenas isso.


Fazenda São Jerônimo. Rodovia Soure – Pesqueiro, km 3 – Bairro Tucumanduba – Soure – Pará. Código de Endereçamento Postal (CEP): 68870-000. Telefones: 55+91+3741-2093 / 55+91+8019-9699 / 55+91+9212-5997. 


Sobre este site
As fotos que aqui estão foram tiradas dentro da Fazenda São Jerônimo por turistas ou repórteres, nos últimos dez anos. Elas estão disponíveis na Internet e você acessa, através de links em cada página, a foto no site original e o perfil do fotógrafo ou blogueiro. Os textos mais importantes também são de visitantes ou de jornalistas que estiveram na Fazenda. Há poucas exceções: uma foto aérea de Soure, o material sobre um evento de gastronomia em São Paulo e este texto aqui. Todos os créditos foram dados, sempre que possível. 



Foto do plano de fundo do site: Paulo Lobato.

Amor


A história das árvores apaixonadas

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Nira e Mururé


Diz a lenda que eram dois jovens índios de tribos inimigas que se apaixonaram perdidamente. Ela uma índia Mundi, e ele um índio Aruã. Os aruãs, famosos pela arte da guerra e do enfrentamento de resistência aos colonizadores e os Mundis, conhecidos por serem pacíficos. O chefe da tribo aruã jamais permitiu que seu sucessor na hierarquia indigena, o índio Mururé, casasse-se com uma índia que não fosse guerreira, como a linda e terna Nira. E assim foi decretada a guerra. Mururé, longe de sua amada, chorou dias e noites a solidão de sua ausência e Nira consolava-se embalada pelos raios da lua a sonhar em eternizar seu grande amor. Então, ajudados pelo canto do uirapuru, que levava em seu canto a saudade dos dois índios apaixonados, Mururé e Nira, guiados pelo canto da ave encantada, seguiram em direção um do outro para a floresta de mangue hoje conhecida como manguezal do goiabal, alimentaram-se da semente do tento e abraçados eternizaram sua paixão, morreram por amor, sabendo que suas vidas iriam salvar outros tantos amores. No lugar onde morreram, nasceram duas lindas arvores abraçadas. Quem for passear na Fazenda São Jerônimo irá encontrar Nira e Mururé de mãos dadas eternizando o amor. Diz a lenda que quem sentar em seus braços junto com seu amor, jamais dele se separará, porque elas ajudarão o amor a ser eterno. (História de Brito e Jeronima - Adaptada por Ivone Maués)



Texto e foto de Yara Cultura Marayo no blog Yara Cultura MarayoVeja mais fotos desta árvore clicando aqui.

Dicas


Pequeno Livro de Receitas da Dona Jerônima



Aqui estão as receitas de algumas especialidades da casa, publicadas pelo site Estadão, do jornal O Estado de S.Paulo.

Filé marajoara / três porções

 

Ingredientes

2 kg de filé de búfalo
1 kg de queijo de leite de búfala
Manteiga de búfala para untar

Temperos
4 dentes de alho picados
4 colheres (sopa) de molho inglês
15g de pimenta e cominho
2 colheres (sopa) de azeite de oliva

 

Preparo

Corte os filés no sentido da fibra e com espessura de 1,5 cm aproximadamente.
Deixe-os em repouso no tempero misturado anteriormente, por 15 minutos.
Unte a chapa com manteiga de búfala e passe os filés quando a chapa estiver bem quente. Cubra os filés já ao ponto com o queijo e abafe até que derreta. Sirva com arroz branco ou arroz de jambu.

Publicada aqui. 


Filé de carne de búfalo com molho de bacuri / três porções

 

Ingredientes

1 kg de filé de carne de búfalo
100g de polpa de bacuri

Temperos
1 cebola picada
2 folhas de cipó de alho
1 maço de salsa
2 colheres (sopa) de suco de limão
1 colher (sopa) de urucum
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
100g de amido de milho diluído em 1 copo de água
200g de creme de leite
Sal, pimenta-do-reino e cominho a gosto

 

Preparo

Bata todos os temperos no liquidificador, exceto o amido de milho e o creme de leite. Deixe os filés em repouso com os temperos por 20 minutos e depois passe-os na frigideira com os temperos. Reserve.

Bata a polpa de bacuri no liquidificador com o amido de milho diluído e o creme de leite. Depois aqueça esse creme na mesma frigideira usada para os filés. Disponha os filés em uma travessa e cubra-os com o creme do bacuri. Sirva com arroz branco ou de jambu.

Publicada aqui.



Arroz com jambu / quatro porções

 

Ingredientes

1 maço de jambu
1 cebola pequena
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
2 xícaras de arroz
Sal a gosto

 

Preparo

Limpe e escalde o jambu e corte-o em pedacinhos. Refogue o jambu com a cebola picada e o azeite, misture o arroz e leve ao fogo para cozinhar. Sirva com o filé de búfalo.


Publicada aqui.  



Caldo de turu no tucupi / 10 porções

30 minutos

Ingredientes
1 litro de turus; ½ colher (sopa) de coentro picado; 1 colher (sopa) de alface picada; 1 pitada de pimenta-do-reino e cominho; 2 dentes de alho; ½ litro de tucupi

Preparo
Limpe os turus, corte-os em cubinhos e reserve. Leve o tucupi ao fogo, deixe ferver e coloque os temperos. Acrescente os turus em cubinhos e deixe ferver por mais dois minutos. Retire e sirva em tigelas.  


Publicada aqui.



Moqueca de peixe / 8 porções

Uma hora

Ingredientes
Para a moqueca: 2 kg de postas grossas de peixe (filhote); 1½ litro de leite (de búfala); 2 colheres (sopa) de cebolinha picada; 2 colheres (sopa) de chicória picada; 2 colheres (sopa) de pimenta doce; 1 colher (café) de gengibre picado; 2 cebolas picadas; 3 tomates; 1 xícara (chá) de azeite de oliva; sal a gosto.
Para o pirão: ½ kg de camarão limpo; 1 xícara (chá) de farinha fina

Preparo
Moqueca: Corte o peixe em postas grossas sem a pele e sem espinhas. Deixe as postas em repouso por 20 minutos com sal e limão e gotas de azeite. Deixe esquentar o azeite em uma panela com algumas gotas de urucum. Coloque as postas do peixe em camadas e acrescente os temperos picados. Deixe refogar bem e, por último, adicione o leite.
Pirão: Refogue o camarão. Misture um pouco de molho da moqueca com o camarão e a farinha. Mexa por 2 minutos e sirva acompanhando a moqueca e arroz branco.


Publicada aquiOutra versão desta receita, com metade do peixe, você encontra clicando     



Foto de Alex Silva, da Agência Estado, publicada no blog Paladar, do Estadão. 

Peixe


Fresquinho

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Despescando o curral 



Enquanto aqui, diariamente, acompanhamos com apreensão as cheias sem motivo aparente de estradas e avenidas, na Ilha de Marajó todas as atividades são regidas anualmente pelas estações bem marcadas; mensalmente, pela lua e diariamente, pela maré. Como um ciclo respiratório em que cada inspiração ou expiração dura em média seis horas, os igarapés, como alvéolos, se enchem e se esvaziam em movimentos suaves. De água em vez de ar. Movimento conhecido e alternado, diferente do de carros, imprevisível. Não sei, depois de tanta má noticia nas últimas semanas sobre o trânsito insolúvel, o otimismo da indústria automobilística e o fluxo de movimento bloqueado, hoje me deu saudade da paz do Marajó, onde as pessoas ainda vivem segundo as regras ditadas pela natureza, onde vão de lugar a outro sem impedimento via bike ou búfalo, de canoa ou charrete, sem pressa. E mesmo assim, as coisas fluem, vêm e vão, têm ritmo, movimento constante, respiram e expiram.

À tardinha a gente saía para despescar o curral, uma estrutura labiríntica feita com bambu-taboca (Guadua sp) e talas de marajá (Bactris sp), amarrados com cipó-titica (Heteropsis sp), todas espécies típicas da Amazônia. A construção tem uma arquitetura peculiar, pois é feita de um jeito que o peixe entra durante a maré cheia e fica preso na maré vazante. Para poder capturá-los a água tem que estar bem baixa, por isto, chegamos lá por terra (se é que podemos chamar um mangal de terra) durante a vazante. Assim cortamos caminho e estávamos no local por volta das cinco horas da tarde, quando ainda é dia e a água não vazou totalmente. Quando a maré está cheia, podemos alcançar o mesmo curral - mas é fundo pra pegar os peixes-, pegando um barco no igarapé Tucumandubinha, passando pelo Tucumanduba e chegando na Boca da Glória por onde já se entra no marzão sem fim da Baía do Marajó - um glorioso encontro de águas doces e salgadas. Só para entender: a Baia do Marajó é formada pela foz dos rios Pará e todos os outros que lhe dão vazão - Anapu-Pacajá, Jacundá, Araticu, Cupijó, Tocantins, Moju, Acará e Guamá - abrigando, portanto, água do Oceano Atlântico e a doce dos rios que ali desaguam. Limpa e de baixa salinidade, esta água é um prato cheio para um mergulho refrescante.

Mas, voltando à despescagem: Seu Brito, pai da minha amiga Katia, o dono da fazenda, passa se esgueirando de lado pela entrada estreita do curral e logo sai com o puçá cheio de peixes que estavam lá a esperar numa piscininha. Tem dias de sorte com muito siri, pitu, piramutaba, carataí, tainha, pescada amarela e camuri (robalo flexa). Outros com muitos cascudos, bagres e baiacus que se incham todos e viram de ponta cabeça arreganhando a boquinha quando o tiramos do molhado. Todos, é claro, são devolvidos à água (sabem por lá que podem prepará-lo para tirar o veneno, mas, com tanta variedade, para que arriscar?). Acontece ainda de alguns espertinhos chegarem de barco, vindos por outras vias de acesso, antes do dono do curral. O mangal, a praia e os principais igarapés de acesso pertencem à Fazenda São Jerônimo. Mas, sim, há piratas por lá. Ladrões de galinha, ops, de peixes.

Descrever o sabor dos peixes e pitus pescados assim e preparados pela Dona Jerônima logo depois, no calor da lenha? Eu não sei, não. Não consigo. É demais para meu arsenal de adjetivos. Basta dizer que nenhum peixe comprado no Ceagesp, Mercadão ou feiras-livres de madrugada terá aquele sabor. Só indo lá para experimentar. Ou fiquem a sonhar.



Foto e texto de Neide Rigo no blog Come-se

Intercâmbio


Sempre aprendendo



What about turu, Jerônima?

Chef irlandês e cozinheira marajoara trocam figurinhas

Antes de sair da Ilha de Marajó para mostrar sua cozinha típica no Laboratório Paladar, D. Jerônima Barbosa foi avisada de que ali iria conhecer pessoas de todos os cantos do mundo. Mesmo precavida, não esperava se deparar no elevador do hotel com um gringo branquelo que exclamava, em sua direção: 'Congratulations!' Seu mais novo fã era o irlandês Kevin Thornton, chef do Thornton's, que figura na lista dos 50 melhores do mundo de acordo com a revista Restaurant. No dia anterior, tinha experimentado a comida de Jerônima na aula. Não entendeu as explicações em português, mas a comida, sim.

Como Jerônima não sabe inglês, os elogios lhe pareceram resmungos indecifráveis. Foi preciso um novo reencontro, dessa vez com tradução simultânea do Paladar, para que os dois conversassem. Thornton não rodeou. Caneta em punho à espera de respostas objetivas, perguntou a Jerônima onde poderia encontrar na Amazônia cogumelos alucinógenos de qualidade ('good hallucinogenic mushroons'). Os olhos da senhora de 69 anos se esbugalharam e, receosa, deixou claro que não entendia 'dessas coisas'.

Mudando de assunto, Jerônima quis saber por que o pessoal da terra de Thornton é tão fascinado por batata e como era a cozinha dele. Com a mesma caneta dos cogumelos, o chef desenhou um de seus pratos: uma base de vegetal servindo de suporte a uma vieira, caviar e uma folha de ouro. 'Ouro?! Que coisa chique', comentou Jerônima.

Por mais que búfalo de Marajó não se assemelhe a cerveja Guinness, ambos aprenderam a cozinhar observando as mães no fogão. Jerônima esqueceu o susto inicial. Arriscou um 'thank you', mas Thornton não entendeu como despedida. Queria mais papo. 'A senhora pode me falar do turu?', perguntou, interessado no molusco da Amazônia, servido por ela na aula, que, mesmo sem efeitos adicionais, o impressionou muito.



Foto original de Felipe Rau, da Agência Estado. Texto de Bruno Moreschi no Estadão








2.1.12

À Vontade


Simples, amplo e tranquilo

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Sob as palhas, na foto, o caminho e a entrada do restaurante. Sob as telhas, o próprio.

Fazenda Sao Jeronimo was in the area and seemed the obvious choice. 

The property has 400 ha with rainforest, mangroves, waterways, fields, lagoon, island and private beach. Toucans, parekeets, herons, ibis, owls, hawks, guariba monkeys and turtles are some of the residents.

The excursion consisted of boat navigation in the waterways, walking accross the mangroves, riding in buffalo cart throught the forest and at the end we made a stop on the beach. Having agua de coco (coconut water) and some local fruit from the tree, observing various bird spices and taking a bath on the beach where there was nobody... Sounds too good to be truth :)

When we returned to fazenda we had delicious lunch made by dona Jeronima. Everything she prepared was fresh and home grown. Some of the ingredients: early in the morning, fishes and shrimps still alive are caught in the river, crabs in the mangrooves, acai in the palm trees and the milk comes from cows and female buffalo.


A Fazenda São Jerônimo era ali perto e parecia a escolha óbvia.

A propriedade tem 400ha com floresta, mangues, rios, campos, lagoa, ilha e praia privadas. Tucanos, periquitos, garças, guarás, corujas, gaviões, macacos guariba e tartarugas são alguns dos residentes.

O programa consiste em navegação em barco pelos igarapés, caminhada através do manguezal, passeio na floresta em carroça puxada a búfalo e, no final, uma parada na praia. Tomamos água de coco e comemos algumas frutas locais pegas das árvores, vimos pássaros de diversas espécies e tomamos banho na praia, onde não havia ninguém... Parece bom demais pra ser verdade.

Quando voltamos à Fazenda, tivemos um delicioso almoço feito pela Dona Jerônima. Tudo o que ela preparou estava fresco e fora colhido ali. Alguns dos ingredientes: no começo da manhã, peixes e camarões ainda vivos são capturados no rio, caranguejos nos mangues, açaí nas palmeiras e o leite vem das vacas e búfalas.



Foto fazenda Sao Jeronimo original e texto de Mircaskirca.  


Experiências


Momentos particulares



Mit dem Fahrrad (Haupttransportmittel der Insel) ging es zur Fazenda São Jeronimo. Das ist eine Landhaus mit einem riesen Grundstück, von dem unsere Entdeckungsreise der Flora und Fauna von der Insel starten sollte. Nach einem kurzen Marsch durch den Wald, stießen wir auf einen Fluss, an dem wir in ein kleines Boot stiegen. Wir fuhren entlang am braun gefärbten Fluß und konnten dabei Vögel, Krabben und Affen in ihrer natürlichen Umgebung bestaunen.  Die 40 Meter hohen Mangroven-Bäume und die "Mangueiros"-Bäume ließen uns sehr klein aussehen. Am Ende der Bootsfahrt musste wir uns den versperrten Weg noch mit einem Buschmesser frei machen. Um dann einen selbstgebauten Weg durch das Wurzelgeflecht der Mangueiros zu einem entlegenen Strand zu folgen. Dort angelangt waren wir überwältigt von der Weite der Sandbank und des Meeres. Nachdem wir ein paar Fruchtkerne am Strand gesammelt hatten, bekamen wir eine frische Kokosnuss zum trinken, die wir anschließend noch auslöffelten. Dann kam der Höhepunkt unserer Tour: Büffel-Reiten, die ein Tonnen-Riesen machten einen finsteren Eindruck, erwiesen sich aber als angenehme Transportmittel.

Com a moto (principal meio de transporte na ilha), ele foi para a Fazenda São Jerônimo. Esta é uma casa de campo com um lote de terra enorme onde deve começar nossa exploração da flora e da fauna da ilha. Depois de uma marcha curta pela floresta, chegamos a um rio onde embarcamos em um barco pequeno. Fomos ao longo do rio de cor castanha e pudemos admirar pássaros, caranguejos e macacos em seu ambiente natural. As árvores de mangue, "Mangueiros", com 40 metros de altura, nos fizeram parecer muito pequenos. No final do trajeto tivemos que liberar o caminho com um facão. Então, para seguir um caminho de trilhas através do emaranhado de raízes de Mangueiros a uma praia remota. Uma vez lá, nós ficamos impressionados com a imensidão do mar e do banco de areia. Depois que havia coletado alguns grãos na praia, nós bebemos um coco fresco, e comemos a polpa. Então veio o ponto alto do nosso passeio: búfalos de equitação: o gigante de uma tonelada causou uma impressão sinistra, mas provou-se um transporte confortável.



Foto Mangueiros Bäume original de Tanja Hofer

1.1.12

Apetite



Turu, um molusco que só existe por aqui

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Na hora do almoço não há dúvida! Um dos pratos favoritos dos moradores da Ilha de Marajó é o turu. Um molusco branquelo e comprido que vive passeando dentro de troncos de árvores apodrecidas pelas águas do mangue da ilha. Graças à sua cor branca e seu aspecto leitoso, de perto ele até lembra uma daquelas lombrigas bem simpáticas estudadas nas aulas de biologia. Na fazenda São Jerônimo manguezal é o que não falta, e o restaurante do hotel prepara pratos com o molusco que, na realidade, deveriam ser consumidos crus. Os “catadores” estão acostumados a saborear a iguaria apenas com limão e um pouco de sal. Na cozinha, Dona Jerônima faz uma sopa com eles, mas também há a opção de comê-los a milanesa. 

Os moluscos são tão compridos quanto um tentáculo de lula sem pele, eles têm a textura e consistência de uma ostra, e, aqueles que provam, garantem que o sabor é ainda mais doce.

Eles são riquíssimos em minerais, dentro de apenas um turu há cerca de 150 mg de cálcio e 55 mg de ferro! E aí? As crianças do Pará certamente são mais saudáveis comendo esse bichinho leitoso que uma porção de batatas fritas. 



 Foto de Paulo Lobato. Texto da revista Adoro Viagem.


Céus!


À noite, são as estrelas

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Fazenda São Jerônimo


Fui apanhado às 7h da manhã pelo Jerônimo da Fazenda São Jerônimo que durante o trajeto me contou os planos de desenvolvimento turístico na fazenda que ganhou fama nacional quando serviu de cenário para a realização do programa No Limite III da rede Globo. Guiado pelo Sr. Raimundo, proprietário da fazenda, e juntamente com dois franceses, fizemos um passeio de canoa pelos igarapés Goiabal, Tucumanduba e Tucumandubazinho.
Além das muitas garças e guarás que cruzaram nosso caminho fiquei impressionado com o número e tamanho das raízes das árvores do mangue.
Após um delicioso peixe preparado por Dona Jerônima fiz um passeio pela praia do Goiabal e praia do Pesqueiro. No caminho dessa praia passei novamente pela área dos Guarás e não resisti em fazer novas fotos.










Olhares



Melhor não encarar

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Mergulho ao lado de animal selvagem


Você pode se imaginar numa praia subindo à superfície da água após um demorado mergulho e dar de cara com um enorme e selvagem búfalo na sua frente, no meio das ondas?

Pois, vivi essa experiência inusitada e outras inesquecíveis na Ilha de Marajó, no Pará, em pleno inverno (deles, lá o inverno é a época das chuvas que abundam neste período do ano). Se olhar atentamente na foto abaixo é fácil perceber o meu espanto, afinal o bicho não era pequeno...

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Na maior ilha fluvio-marítima do mundo a população dominante é de búfalos. A grande maioria, selvagens. Esses animais não são nativos. Chegaram lá nadando e reproduziram aos milhares naquela imensa ilha de floresta amazônica. É lá que estão 80% da população brasileira desses bichos que são nativos da Ásia. Segundo os moradores da ilha um navio que carregava os animais afundou perto da costa brasileira e os que sobreviveram nadaram até a Ilha de Marajó.

Os selvagens são evitados, pois atacam até onças, o predador mais temido da selva. Segundo o biólogo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Salvatore Rossy, por serem animais invasores eles não têm predadores.

Para se ter uma idéia do quanto esse quadrúpede de carne saborosa é selvagem, em Rondônia uma manada de 20 deles estava sendo observada por aviões por uma equipe de pesquisadores. Ela entrou numa fazenda abandonada e se deparou com a sucata de um trator abandonado. Ao ver a máquina, um dos animais se assustou e correu para chifrar o veículo. Isso porque eles nunca haviam visto um trator. Na imaginação deles, aquilo era uma ameaça. Ao correr contra a máquina, o animal bateu com a cabeça na lâmina e morreu na hora. Para abater um animal desses só com um trator ou tiros de fuzis. Eles pesam mais de uma tonelada.

A Ilha de Marajó é o paraíso desses animais que adoram banhos de lama, também. Nas regiões povoadas, assim como os cavalos e os bois, muitos foram domesticados e prestam enormes serviços de carga e tração além do fornecimento de carne, leite, couro etc.

Lagos e igarapés também não escapam do desfrute desses animais. Portanto, é bom estar atento nos banhos porque são enormes as chances de você ter essa companhia e, garanto, mesmo os domesticados não são nada sociáveis com os estranhos.


Lembram-se daquela série da Rede Globo de televisão "No Limite". O primeiro programa foi numa fazenda na Ilha de Marajó. A iniciativa da Globo permitiu aos proprietários transformarem o local depois que o programa terminou e investiram no turismo ecológico haja vista o enorme marketing da TV.

A Fazenda São Jerônimo é um dos melhores locais para quem se dispõe a passar alguns dias ou semanas muito próximo da vida selvagem quase ao extremo. Foi na fazenda que um dos búfalos, daqueles que se deixam montar, me atacou.

Um bicho desse tamanho bufando e correndo para cima de você é assustador! Só porque eu o estava admirando. É um belo animal. Meu erro? Olhei nos olhos dele. Nem os domesticados se deixam encarar. Para eles isso é uma provocação. Só deixei que ele chegasse perto o bastante para essa foto e um pouco do bafo no meu rosto e descobri que estou em boa forma quando o assunto é correr.

Acredite, aquele bicho lá de cima não estava bem intencionado...

Eles são os donos da ilha. Desde que você não os olhe nos olhos, as manadas domesticadas dá para encarar um "abre alas que eu quero passar..."

Aliás, depois de comer as mangas da Ilha de Marajó dá raiva comer qualquer outra manga. Elas são pequenas e muito, muito doces. Inigualáveis. Todas as frutas de lá têm sabor especial. Tangencialmente localizada à linha do Equador, o sol é abundante, é direto, na ilha. Que sabor têm as frutas!!!

Se eu montei algum búfafo? Não, uma búfala, sim. Um passeio inesquecível ao mangue mais lindo que já vi na minha vida. Mas isso é para uma próxima postagem.



Fotos e texto de Altamir Andrade publicados no blog Jornalista Altamir Andrade na quinta-feira, 13 de janeiro de 2011.


Simpatia



Um jeito de ser



E viva a simplicidade.

Dizem que muitos engenheiros e jornalistas são cozinheiros frustrados. Isso deve ter um fundo de verdade, porque conheço vários deles que fazem gastronomia, se não o curso regular, pelo menos cursos esporádicos.

Gostam de receber amigos, contar suas incursões na cozinha, e comprar livros sobre gastronomia. A tradução de passeio pra esse povo é dar uma volta pela rua Paula Souza e pelo Mercado Municipal.

Um desses aficionados é um amigo engenheiro, o Maurício, que foi ao Food & Wine e entre tantos workshops, assistiu à apresentação de Jerônima Barbosa, proprietária da Pousada São Jerônimo na Ilha de Marajó.

Quando o encontrei, no dia seguinte ao evento, ele ainda estava empolgado com Jerônima, completamente cativado pela simplicidade e pela experiência dela. Uma dessas coisas que mais o impressionou foi o turu, que aprendeu com ela tratar-se de um molusco “que penetra no tronco de árvores caídas nos ‘mangueiros’, tipo de mangue”.

O turu, segundo ele, é comprido e fino, podendo chegar a ter 1m de comprimento. São encontrados dentro das toras de madeira que são quebradas pelos nativos que os colhem e utilizam de diversas formas. Alguns o comem cru, outros em preparados como caldos e cozidos. O Maurício provou o turu cru e segundo ele, o gosto se assemelha ao da ostra, com um gostinho de madeira ao fundo.



Texto e foto de Reiko Miura no blog Perfume de pequi.