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4.1.12

Fama


2012: gravações de novela na Fazenda

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Agora é pra valer. Atores, diretores, produção e equipe técnica da nova novela das 18h, Amor Eterno Amor, já estão em Santarém, no Oeste do Pará, para iniciar as gravações nesta quarta-feira, dia 4.Os atores Carol Castro, Gabriel Braga Nunes e André Gonçalves vão estar nas cenas.

Em Soure, na Ilha do Marajó, as gravações devem acontecer entre os dias 8 e 15 de janeiro. A fazenda São Jerônimo será uma das locações, com gravações marcadas para os dias 10 e 11 de janeiro. A chef Jerônima Brito é quem vai ficar responsável pelo almoço dos atores e toda equipe global.

O próprio diretor geral  da novela, Rogério Gomes, o Papinha, esteve na Fazenda São Jerônimo, com demais diretores da trama, no mês de novembro do ano passado, escolhendo as locações. Eles também fizeram refeições na Fazenda e aprovaram o cardápio criado pela chef Jerônima Brito.

E não é a primeira vez que a Fazenda São Jerônimo é cenário para uma produção global. Em 2001, a TV Globo gravou no local o programa No Limite III, com direção de Boninho e apresentação de Zeca Camargo. O diretor do programa, na época, descobriu a Fazenda num passeio de helicóptero na ilha.



Texto e foto de Christian Emanoel.

Dicas


Pequeno Livro de Receitas da Dona Jerônima



Aqui estão as receitas de algumas especialidades da casa, publicadas pelo site Estadão, do jornal O Estado de S.Paulo.

Filé marajoara / três porções

 

Ingredientes

2 kg de filé de búfalo
1 kg de queijo de leite de búfala
Manteiga de búfala para untar

Temperos
4 dentes de alho picados
4 colheres (sopa) de molho inglês
15g de pimenta e cominho
2 colheres (sopa) de azeite de oliva

 

Preparo

Corte os filés no sentido da fibra e com espessura de 1,5 cm aproximadamente.
Deixe-os em repouso no tempero misturado anteriormente, por 15 minutos.
Unte a chapa com manteiga de búfala e passe os filés quando a chapa estiver bem quente. Cubra os filés já ao ponto com o queijo e abafe até que derreta. Sirva com arroz branco ou arroz de jambu.

Publicada aqui. 


Filé de carne de búfalo com molho de bacuri / três porções

 

Ingredientes

1 kg de filé de carne de búfalo
100g de polpa de bacuri

Temperos
1 cebola picada
2 folhas de cipó de alho
1 maço de salsa
2 colheres (sopa) de suco de limão
1 colher (sopa) de urucum
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
100g de amido de milho diluído em 1 copo de água
200g de creme de leite
Sal, pimenta-do-reino e cominho a gosto

 

Preparo

Bata todos os temperos no liquidificador, exceto o amido de milho e o creme de leite. Deixe os filés em repouso com os temperos por 20 minutos e depois passe-os na frigideira com os temperos. Reserve.

Bata a polpa de bacuri no liquidificador com o amido de milho diluído e o creme de leite. Depois aqueça esse creme na mesma frigideira usada para os filés. Disponha os filés em uma travessa e cubra-os com o creme do bacuri. Sirva com arroz branco ou de jambu.

Publicada aqui.



Arroz com jambu / quatro porções

 

Ingredientes

1 maço de jambu
1 cebola pequena
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
2 xícaras de arroz
Sal a gosto

 

Preparo

Limpe e escalde o jambu e corte-o em pedacinhos. Refogue o jambu com a cebola picada e o azeite, misture o arroz e leve ao fogo para cozinhar. Sirva com o filé de búfalo.


Publicada aqui.  



Caldo de turu no tucupi / 10 porções

30 minutos

Ingredientes
1 litro de turus; ½ colher (sopa) de coentro picado; 1 colher (sopa) de alface picada; 1 pitada de pimenta-do-reino e cominho; 2 dentes de alho; ½ litro de tucupi

Preparo
Limpe os turus, corte-os em cubinhos e reserve. Leve o tucupi ao fogo, deixe ferver e coloque os temperos. Acrescente os turus em cubinhos e deixe ferver por mais dois minutos. Retire e sirva em tigelas.  


Publicada aqui.



Moqueca de peixe / 8 porções

Uma hora

Ingredientes
Para a moqueca: 2 kg de postas grossas de peixe (filhote); 1½ litro de leite (de búfala); 2 colheres (sopa) de cebolinha picada; 2 colheres (sopa) de chicória picada; 2 colheres (sopa) de pimenta doce; 1 colher (café) de gengibre picado; 2 cebolas picadas; 3 tomates; 1 xícara (chá) de azeite de oliva; sal a gosto.
Para o pirão: ½ kg de camarão limpo; 1 xícara (chá) de farinha fina

Preparo
Moqueca: Corte o peixe em postas grossas sem a pele e sem espinhas. Deixe as postas em repouso por 20 minutos com sal e limão e gotas de azeite. Deixe esquentar o azeite em uma panela com algumas gotas de urucum. Coloque as postas do peixe em camadas e acrescente os temperos picados. Deixe refogar bem e, por último, adicione o leite.
Pirão: Refogue o camarão. Misture um pouco de molho da moqueca com o camarão e a farinha. Mexa por 2 minutos e sirva acompanhando a moqueca e arroz branco.


Publicada aquiOutra versão desta receita, com metade do peixe, você encontra clicando     



Foto de Alex Silva, da Agência Estado, publicada no blog Paladar, do Estadão. 

Peixe


Fresquinho

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Despescando o curral 



Enquanto aqui, diariamente, acompanhamos com apreensão as cheias sem motivo aparente de estradas e avenidas, na Ilha de Marajó todas as atividades são regidas anualmente pelas estações bem marcadas; mensalmente, pela lua e diariamente, pela maré. Como um ciclo respiratório em que cada inspiração ou expiração dura em média seis horas, os igarapés, como alvéolos, se enchem e se esvaziam em movimentos suaves. De água em vez de ar. Movimento conhecido e alternado, diferente do de carros, imprevisível. Não sei, depois de tanta má noticia nas últimas semanas sobre o trânsito insolúvel, o otimismo da indústria automobilística e o fluxo de movimento bloqueado, hoje me deu saudade da paz do Marajó, onde as pessoas ainda vivem segundo as regras ditadas pela natureza, onde vão de lugar a outro sem impedimento via bike ou búfalo, de canoa ou charrete, sem pressa. E mesmo assim, as coisas fluem, vêm e vão, têm ritmo, movimento constante, respiram e expiram.

À tardinha a gente saía para despescar o curral, uma estrutura labiríntica feita com bambu-taboca (Guadua sp) e talas de marajá (Bactris sp), amarrados com cipó-titica (Heteropsis sp), todas espécies típicas da Amazônia. A construção tem uma arquitetura peculiar, pois é feita de um jeito que o peixe entra durante a maré cheia e fica preso na maré vazante. Para poder capturá-los a água tem que estar bem baixa, por isto, chegamos lá por terra (se é que podemos chamar um mangal de terra) durante a vazante. Assim cortamos caminho e estávamos no local por volta das cinco horas da tarde, quando ainda é dia e a água não vazou totalmente. Quando a maré está cheia, podemos alcançar o mesmo curral - mas é fundo pra pegar os peixes-, pegando um barco no igarapé Tucumandubinha, passando pelo Tucumanduba e chegando na Boca da Glória por onde já se entra no marzão sem fim da Baía do Marajó - um glorioso encontro de águas doces e salgadas. Só para entender: a Baia do Marajó é formada pela foz dos rios Pará e todos os outros que lhe dão vazão - Anapu-Pacajá, Jacundá, Araticu, Cupijó, Tocantins, Moju, Acará e Guamá - abrigando, portanto, água do Oceano Atlântico e a doce dos rios que ali desaguam. Limpa e de baixa salinidade, esta água é um prato cheio para um mergulho refrescante.

Mas, voltando à despescagem: Seu Brito, pai da minha amiga Katia, o dono da fazenda, passa se esgueirando de lado pela entrada estreita do curral e logo sai com o puçá cheio de peixes que estavam lá a esperar numa piscininha. Tem dias de sorte com muito siri, pitu, piramutaba, carataí, tainha, pescada amarela e camuri (robalo flexa). Outros com muitos cascudos, bagres e baiacus que se incham todos e viram de ponta cabeça arreganhando a boquinha quando o tiramos do molhado. Todos, é claro, são devolvidos à água (sabem por lá que podem prepará-lo para tirar o veneno, mas, com tanta variedade, para que arriscar?). Acontece ainda de alguns espertinhos chegarem de barco, vindos por outras vias de acesso, antes do dono do curral. O mangal, a praia e os principais igarapés de acesso pertencem à Fazenda São Jerônimo. Mas, sim, há piratas por lá. Ladrões de galinha, ops, de peixes.

Descrever o sabor dos peixes e pitus pescados assim e preparados pela Dona Jerônima logo depois, no calor da lenha? Eu não sei, não. Não consigo. É demais para meu arsenal de adjetivos. Basta dizer que nenhum peixe comprado no Ceagesp, Mercadão ou feiras-livres de madrugada terá aquele sabor. Só indo lá para experimentar. Ou fiquem a sonhar.



Foto e texto de Neide Rigo no blog Come-se

Intercâmbio


Sempre aprendendo



What about turu, Jerônima?

Chef irlandês e cozinheira marajoara trocam figurinhas

Antes de sair da Ilha de Marajó para mostrar sua cozinha típica no Laboratório Paladar, D. Jerônima Barbosa foi avisada de que ali iria conhecer pessoas de todos os cantos do mundo. Mesmo precavida, não esperava se deparar no elevador do hotel com um gringo branquelo que exclamava, em sua direção: 'Congratulations!' Seu mais novo fã era o irlandês Kevin Thornton, chef do Thornton's, que figura na lista dos 50 melhores do mundo de acordo com a revista Restaurant. No dia anterior, tinha experimentado a comida de Jerônima na aula. Não entendeu as explicações em português, mas a comida, sim.

Como Jerônima não sabe inglês, os elogios lhe pareceram resmungos indecifráveis. Foi preciso um novo reencontro, dessa vez com tradução simultânea do Paladar, para que os dois conversassem. Thornton não rodeou. Caneta em punho à espera de respostas objetivas, perguntou a Jerônima onde poderia encontrar na Amazônia cogumelos alucinógenos de qualidade ('good hallucinogenic mushroons'). Os olhos da senhora de 69 anos se esbugalharam e, receosa, deixou claro que não entendia 'dessas coisas'.

Mudando de assunto, Jerônima quis saber por que o pessoal da terra de Thornton é tão fascinado por batata e como era a cozinha dele. Com a mesma caneta dos cogumelos, o chef desenhou um de seus pratos: uma base de vegetal servindo de suporte a uma vieira, caviar e uma folha de ouro. 'Ouro?! Que coisa chique', comentou Jerônima.

Por mais que búfalo de Marajó não se assemelhe a cerveja Guinness, ambos aprenderam a cozinhar observando as mães no fogão. Jerônima esqueceu o susto inicial. Arriscou um 'thank you', mas Thornton não entendeu como despedida. Queria mais papo. 'A senhora pode me falar do turu?', perguntou, interessado no molusco da Amazônia, servido por ela na aula, que, mesmo sem efeitos adicionais, o impressionou muito.



Foto original de Felipe Rau, da Agência Estado. Texto de Bruno Moreschi no Estadão








2.1.12

À Vontade


Simples, amplo e tranquilo

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Sob as palhas, na foto, o caminho e a entrada do restaurante. Sob as telhas, o próprio.

Fazenda Sao Jeronimo was in the area and seemed the obvious choice. 

The property has 400 ha with rainforest, mangroves, waterways, fields, lagoon, island and private beach. Toucans, parekeets, herons, ibis, owls, hawks, guariba monkeys and turtles are some of the residents.

The excursion consisted of boat navigation in the waterways, walking accross the mangroves, riding in buffalo cart throught the forest and at the end we made a stop on the beach. Having agua de coco (coconut water) and some local fruit from the tree, observing various bird spices and taking a bath on the beach where there was nobody... Sounds too good to be truth :)

When we returned to fazenda we had delicious lunch made by dona Jeronima. Everything she prepared was fresh and home grown. Some of the ingredients: early in the morning, fishes and shrimps still alive are caught in the river, crabs in the mangrooves, acai in the palm trees and the milk comes from cows and female buffalo.


A Fazenda São Jerônimo era ali perto e parecia a escolha óbvia.

A propriedade tem 400ha com floresta, mangues, rios, campos, lagoa, ilha e praia privadas. Tucanos, periquitos, garças, guarás, corujas, gaviões, macacos guariba e tartarugas são alguns dos residentes.

O programa consiste em navegação em barco pelos igarapés, caminhada através do manguezal, passeio na floresta em carroça puxada a búfalo e, no final, uma parada na praia. Tomamos água de coco e comemos algumas frutas locais pegas das árvores, vimos pássaros de diversas espécies e tomamos banho na praia, onde não havia ninguém... Parece bom demais pra ser verdade.

Quando voltamos à Fazenda, tivemos um delicioso almoço feito pela Dona Jerônima. Tudo o que ela preparou estava fresco e fora colhido ali. Alguns dos ingredientes: no começo da manhã, peixes e camarões ainda vivos são capturados no rio, caranguejos nos mangues, açaí nas palmeiras e o leite vem das vacas e búfalas.



Foto fazenda Sao Jeronimo original e texto de Mircaskirca.  


1.1.12

Apetite



Turu, um molusco que só existe por aqui

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Na hora do almoço não há dúvida! Um dos pratos favoritos dos moradores da Ilha de Marajó é o turu. Um molusco branquelo e comprido que vive passeando dentro de troncos de árvores apodrecidas pelas águas do mangue da ilha. Graças à sua cor branca e seu aspecto leitoso, de perto ele até lembra uma daquelas lombrigas bem simpáticas estudadas nas aulas de biologia. Na fazenda São Jerônimo manguezal é o que não falta, e o restaurante do hotel prepara pratos com o molusco que, na realidade, deveriam ser consumidos crus. Os “catadores” estão acostumados a saborear a iguaria apenas com limão e um pouco de sal. Na cozinha, Dona Jerônima faz uma sopa com eles, mas também há a opção de comê-los a milanesa. 

Os moluscos são tão compridos quanto um tentáculo de lula sem pele, eles têm a textura e consistência de uma ostra, e, aqueles que provam, garantem que o sabor é ainda mais doce.

Eles são riquíssimos em minerais, dentro de apenas um turu há cerca de 150 mg de cálcio e 55 mg de ferro! E aí? As crianças do Pará certamente são mais saudáveis comendo esse bichinho leitoso que uma porção de batatas fritas. 



 Foto de Paulo Lobato. Texto da revista Adoro Viagem.


Simpatia



Um jeito de ser



E viva a simplicidade.

Dizem que muitos engenheiros e jornalistas são cozinheiros frustrados. Isso deve ter um fundo de verdade, porque conheço vários deles que fazem gastronomia, se não o curso regular, pelo menos cursos esporádicos.

Gostam de receber amigos, contar suas incursões na cozinha, e comprar livros sobre gastronomia. A tradução de passeio pra esse povo é dar uma volta pela rua Paula Souza e pelo Mercado Municipal.

Um desses aficionados é um amigo engenheiro, o Maurício, que foi ao Food & Wine e entre tantos workshops, assistiu à apresentação de Jerônima Barbosa, proprietária da Pousada São Jerônimo na Ilha de Marajó.

Quando o encontrei, no dia seguinte ao evento, ele ainda estava empolgado com Jerônima, completamente cativado pela simplicidade e pela experiência dela. Uma dessas coisas que mais o impressionou foi o turu, que aprendeu com ela tratar-se de um molusco “que penetra no tronco de árvores caídas nos ‘mangueiros’, tipo de mangue”.

O turu, segundo ele, é comprido e fino, podendo chegar a ter 1m de comprimento. São encontrados dentro das toras de madeira que são quebradas pelos nativos que os colhem e utilizam de diversas formas. Alguns o comem cru, outros em preparados como caldos e cozidos. O Maurício provou o turu cru e segundo ele, o gosto se assemelha ao da ostra, com um gostinho de madeira ao fundo.



Texto e foto de Reiko Miura no blog Perfume de pequi.

27.12.11

Festa



Aqui, no restaurante





Só pra você ter uma ideia das dimensões do restaurante, um pouco da cultura local.






Vídeo Encontro de dos bois Areia Branca, Zangado e Pai do Campo na fazenda São Jerônimo (Soure-Pa) original de Carla Augusta Barroso.

Moqueca na TV



Ela virou notícia






Soure é onde se aprende a fazer a Moqueca de Filhote

O Globo Rural foi à Ilha de Marajó, no Pará, para saber como é preparada uma moqueca de filhote, um peixe amazônico, cozido no leite da búfala. E conhecer também o turu, um molusco muito apreciado pela região. Esta é a última reportagem da série sobre a culinária paraense.

Com cerca de 50 mil quilômetros quadrados, a Ilha de Marajó tem tamanho de Estado. É uma área equivalente, por exemplo, ao Rio de Janeiro.

A ilha fica na foz do Rio Amazonas e encanta pela diversidade. Praias, lagos, igarapés, florestas dão vida a um sem número de espécies animais, como o guará, uma das mais belas aves do Brasil e símbolo do Marajó. Esse santuário ecológico preserva suas tradições na cerâmica marajoara; em danças, como o carimbó; e na culinária.

A equipe de reportagem chegou pela Baía de Marajó, no lado leste da ilha, com chuva. Pancadas rápidas e passageiras fazem parte do cotidiano. O destino é Soure, uma das principais cidades da ilha. Com pouco mais de 21 mil habitantes, Soure é conhecida como a "pérola marajoara" ou "capital do búfalo", e atrai turistas do mundo todo.

No lugar fica a sede da Fazenda São Jerônimo, um hotel fazenda. Quem recebe a equipe e o proprietário, Raimundo Brito, o Seu Brito, marajoara legítimo, como gosta de dizer.

“O búfalo se adaptou bem ao Marajó porque é uma região pantanosa. Atualmente o búfalo serve para praticamente tudo”, disse seu Brito. Na Ilha do Marajó tem mais búfalo do que gente. São 270 mil cabeças. É o maior rebanho do país.

A Dona Jerônima é esposa do Seu Brito. Chefiando a cozinha da Fazenda, acabou se tornando referência em culinária marajoara. Ela desenvolveu uma série de receitas com ingredientes típicos, a mais famosa delas, premiada em festivais de gastronomia, é uma moqueca nada tradicional. “É moqueca de filhote no leite de búfala”, disse.

O filhote é, na verdade, a piraíba, peixe de couro que vive nas bacias amazônica e Araguaia-Tocantins. Ele é enorme, chega a dois metros de comprimento e 300 quilos. A carne é rígida, fibrosa, só apreciada quando o peixe ainda é jovem e tem no máximo 60 quilos. Daí o apelido: "filhote".

Para um quilo de filé de filhote temperado com limão e sal, a Dona Jerônima usa:
Tomate picado e cebola picada - 3 colheres de sopa cada um
1 pimentão picado
2 colheres de sopa de pimenta cheirosa
2 colheres de sopa de cheiro verde
2 colheres de sopa de urucum
1 colher de chá de alho picado
5 colheres de sopa de azeite de oliva
1 ½ litro de leite de búfala
cebola, tomate e pimentão em rodelas para enfeitar o prato
sal a gosto

A Dona Jerônima divide os ingredientes em três partes para fazer a moqueca em camadas. Ela coloca um terço da cebola, do peixe, da pimenta cheirosa, do tomate, do pimentão, do cheiro-verde e do leite. E repete tudo mais duas vezes. Depois, coloca o alho cru. A Dona Jerônima deixa ferver um pouco e ainda acrescenta a cebola, o tomate e o pimentão em rodelas para enfeitar.

A moqueca ainda descansa na panela de pedra por cerca de dez minutos, fora do fogo. Enquanto a moqueca fica no ponto, a Dona Jerônima costuma servir uma sopinha de turu com tucupi de entrada.

Para conhecer o turu é preciso entrar no mangue. Além do Seu Brito, vai o Hamilton de Souza, um turuzeiro experiente e um funcionário da Fazenda. O mangue é fechado. Uma ponte de bambu improvisada ajuda no deslocamento. Eles buscaram troncos de mangueiro, árvore de grande porte muito comum na região.

Assim como a ostra ou o marisco, o turu é um molusco. Com seu corpo alongado e cilíndrico, lembra uma lombriga. É da família dos teredinídeos e ocorre em ambiente de água salobra, em manguezal.
Com seus dois dentões, o turu se alimenta da madeira e pode chegar a um metro de comprimento. É importante para decompor a matéria orgânica do mangue, mas pode ser um terror para embarcações.
Os turus seriam, até, os responsáveis pelo naufrágio da Caravela Vizcaina, que integrava a frota da quarta e última viagem de Cristóvão Colombo à América.
No Marajó, tornou-se alimento importante para os ribeirinhos.

O Hamilton explicou que há muitas formas de saborear o turu, com limão, no tucupi, no sumo do coco. O jeito bom de comer é tirar do mangueiro e comer. Com um pauzinho o Hamilton fura a barriga do turu e limpa. Joga uma água e come.

A moqueca é servida com arroz e pirão. 


Veja mais sobre a moqueca de filhote aqui.







26.12.11

Açaí



Conhece? Reconhece?


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Açaí do Marajó


Em Soure, na Fazenda São Jerônimo dos amigos Dona Jerônima e Seu Brito (pais da minha amiga de faculdade Katia), onde me hospedei, não comi arroz e feijão um só dia. Não que não estivessem sempre presentes à mesa. Mas me sentia mais feliz comendo peixe com farinha, pirão ou farofa e açaí. 

Para saber se chegou açaí fresco, é só ficar de olho nas bandeirinhas. Se vir uma bandeirinha vermelha na rua, já sabe que ali tem uma casa com açaí fresco. Quando acaba, e acaba logo, os vendedores tiram o alerta. Se a bandeirinha é branca é porque tem vinho de bacaba, fruto de uma outra palmeira parecida com açaí, porém de polpa mais clara.  

Na hora de comprar, é bom olhar a higiene do local e se usam água filtrada ou mineral. O local onde Seu Brito gosta de comprar, Patuanu, fica na estrada Soure-Pesqueiro e prima pela limpeza. Seu Joaquim cata o açaí como feijão, tirando qualquer impureza ou frutos imperfeitos, lava bem antes de usar, mantém os utensílios bem areados, usa água filtrada e só vende se o produto está bem fresco. Se não está, tira a bandeirinha. E vai extraindo o vinho aos poucos (vinho é o nome dado para o sumo grosso dos frutos de palmeiras, diferindo dos sucos, de frutas outras), que é pra não oxidar. E pra clientes como Seu Brito ainda tem que peneirar, para tirar a burra, como chamam por lá o resíduo de casca que confere uma textura arenosa. O resultado, depois de peneirado, é um creme liso como de abacate. 

Com peixe fresco, frito, grelhado ou assado, é irresistível. Se você fechar os olhos, pode achar que está comendo as lascas mergulhadas numa emulsão cremosa de azeite extra-virgem, extra-fresco, extra-saboroso e extra-aromático. E ainda sem culpas porque, se você juntar apenas um pouco de farinha, isto não vai te matar de overdose calórica, afinal uma colher de sopa de açaí está bem longe das cerca de 100 calorias de uma colher de azeite.  



Foto Na Fazenda São Jerônimo, com aquela farinha, e texto, de Neide Rigo, no blog Come-se.


Informação útil: ninguém na Ilha de Marajó usa polpa congelada de açaí e muito menos misturada com xarope de guaraná

25.12.11

Talento



A moqueca de filhote da Dona Jerônima

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Quem assistiu à terceira edição do programa No Limite, da TV Globo, conheceu a Fazenda São Jerônimo, verdadeiro paraíso ecológico que fica na Ilha de Marajó, no Pará. Ali vive a família de Dona Jerônima Brito que, junto com o marido Raimundo e o filho Jerônimo, cuida da pequena pousada e do restaurante simples onde ela, pessoalmente, prepara os mais deliciosos pratos da cozinha marajoara, como a moqueca de filhote (ou de dourada), o filé marajoara, o frito do vaqueiro e duas especialidades suas: salada de feijão-fradinho com carne de caranguejo e o peixe com caju. Como acompanhamento para a refeição, nada melhor do que um dos vários sucos feitos com frutas da Fazenda, como acerola, bacuri, muruci (ou murici), cupuaçu, goiaba, taperebá, carambola.

A história da Fazenda São Jerônimo como ponto de atração turística começou mesmo com o programa No Limite. Depois das gravações, D. Jerônima, nativa de Marajó, mas que morou no Rio de Janeiro, foi procurada pelo Sebrae do Pará, que a incentivou a abrir a pousada e o restaurante, dando todo o apoio necessário para a empreitada. Deu certo e hoje ela brinca: isso aqui existe por ‘culpa’ do Sebrae.

O lugar é muito bonito. Tem praia, mata, mangue, búfalos, muitas árvores frutíferas e um igarapé, no qual são organizados agradáveis (desde que se proteja dos mosquitos com repelente) passeios em canoas com guia especializado. Tucanos, cotias, periquitos, macacos, guaribas, garças, lagartos corujas, guarás, gaviões e tartarugas são alguns dos moradores.

A moqueca de filhote da D. Jerônima:
O filhote, apesar do nome, é um peixe grande, de água doce, ideal para se fazer moquecas e peixadas e muito apreciado em toda a região amazônica. Dona Jerônima cozinha as postas do peixe em pouco óleo-de-dendê e leite de búfala, junto com os temperos tradicionais usados em moquecas. Com o caldo, faz um simplesmente delicioso pirão com camarão regional (de água doce, dos rios locais). Como acompanhamento, arroz de jambu.


Veja mais sobre a moqueca de filhote clicando aqui.





Texto do site Viagem & Sabor. Foto de Paulo Lobato.